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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Caim

José Saramago


Sinopse I:

Caim é o último livro de autoria do laureado com o Nobel de Literatura, José Saramago, e é outro de seus trabalhos que abordam a Bíblia (um é O Evangelho Segundo Jesus Cristo, publicado em 1991).
Saramago, devido a sua origem portuguesa, e toda a influência cultural exercida pelo catolicismo em tal contexto, sente a necessidade de abordar a Bíblia no seu trabalho de escritor – esse texto faz parte do seu património cultural, ao contrário do Alcorão, que Saramago entende não ser a sua função abordá-lo.

Em Caim, a interpretação bíblica do autor José Saramago é irreverente, irônica e mordaz, e não teme que oscatólicos voltem a crucificá-lo.

Quando de sua publicação, o livro suscitou polêmicas e recebeu fortes críticas, sendo desencadeadas, nas palavras de Saramago, "a mando da Igreja Católica e com a execução dos seus homens de mão (servos), ou jornalistas de mão, ou outros que se guiam por interesses pessoais ou rancores pessoais". Saramago classificou tal "polêmica" como "uma espécie de fartar-vilanagem", dizendo que ela nem sequer lhe "tocou a pele" e que resistiria "a todas as canalhadas que se façam à volta do livro" e de sua figura.

Disse Saramago que "[A crítica principal] é que não deveria ter feito uma literatura literal em lugar de simbólica", mas que "o problema é que as visões simbólicas são muitas", sendo, na verdade, as críticas por ele não ter feito uma "interpretação simbólica", críticas por ele não ter interpretado a Bíblia em conformidade com a interpretação católica. E, considerando o dito por Inês Pedrosa, de que "numa sociedade laica e livre ninguém tem que se fixar às leituras alheias",[ Saramago interpretou a Bíblia de acordo com as suas convicções. 

Segundo católicos que se manifestaram na mídia, "Caim e Abel simboliza a disputa de irmãos pela primazia, pelo amor do Pai. É o amor de Deus que ambos tentam conquistar".   Mas é justamente esse tipo de simbolismo que Saramago considera repugnante, gerador de exclusão, intolerância, perseguição e guerras ("santas") religiosas,e ao qual ele dá uma interpretação em seu livro com um olhar irônico.

Na obra Caim, Saramago exercita a sua liberdade de expressão escrevendo um livro que aponta deus como "autor intelectual do crime, ao desprezar o sacrifício que Caim havia lhe oferecido".
Mas de que deus (sempre escrito com minúsculas no livro  Saramago está a falar?

No livro José Saramago: O amor possível escrito por Juan Arias, Saramago, em uma conversa com o autor de tal livro, disse: "Do meu ponto de vista há apenas um lugar onde existe deus, ou o diabo, ou o bem e o mal, que é na minha cabeça. Fora da minha cabeça, fora da cabeça do homem não há nada". Já em entrevistas dadas na época do lançamento de Caim, Saramago voltou a dar uma declaração no mesmo sentido: "Deus, o demônio, o bem, o mal, tudo isso está em nossa cabeça, não no céu ou no inferno, que também inventamos. Não nos damos conta de que, tendo inventado deus, imediatamente nos tornamos seus escravos".

Assim, conforme dito por Juan Arias, o "homem e apenas o homem é, definitivamente, o deus de Saramago — o homem vítima dos poderes tirânicos, o homem humilhado pela religião, o homem escravo de seus mitos, começando pelo mito de Caim e Abel que Saramago converte num jogo literário".


E é por isso que, parafraseando o dito de Saramago, de que "o Deus da Bíblia é rancoroso, vingativo e má pessoa. O Deus da Bíblia não é de fiar", Pilar del Ríodisse que "o género humano não é de fiar". Disse ainda depois Saramago que "Criamos um Deus à nossa imagem e semelhança (…) e por isso ele é tão cruel, porque nós somos cruéis" .


O Evangelho segundo Jesus Cristo

José Saramago


Sinopse I:


O  livro conta uma história humanizada da vida de Jesus e alude a uma sua eventual relação com Maria Madalena (no livro, foi com ela que Jesus "conheceu o amor da carne e nele se reconheceu homem"). 

Ao adoptar essa perspectiva, de humanização de Cristo, distante da representação tradicional do Evangelho Saramago coloca que a propagada histórica da crucificação de Jesus, "um revulsivo forte, qualquer coisa capaz de chocar as sensibilidades e arrebatar os sentimentos",  resultou na imposição de "uma história interminável de ferro e de sangue, de fogo e de cinzas, um mar infinito de sofrimento e de lágrimas",  de acordo com a sua visão de mundo, segundo a qual “por causa e em nome de Deus é que se tem permitido e justificado tudo, principalmente o mais horrendo e cruel", e que, "no fundo, o problema não é um Deus que não existe, mas a religião que o proclama. 


Denuncio as religiões, todas as religiões, por nocivas à Humanidade. 

São palavras duras, mas há que dizê-las".

 Isso levou a que o livro fosse considerado ofensivo por diversos sectores da comunidade católica, a que ele sofresse perseguição religiosa em seu próprio país, e a que o governo português, pressionado pela Igreja Católica e por meio do então Subsecretário de Estado da Cultura de PortugalSousa Lara, vetasse este livro de uma lista de romances portugueses candidatos ao Prémio Aristeion por "atentar contra a moral cristã".

Em reacção a este acto do Subsecretário de Estado, que considerou censório, Saramago abandonou Portugal, passando a residir na ilha de LanzaroteIlhas Canárias[9] , onde permaneceu até a sua morte.

fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Evangelho_segundo_Jesus_Cristo


Sinopse II:



"«É a obra mais polémica de José Saramago e aquela que, indirectamente, o levou a sair de Portugal e a refugiar-se na ilha espanhola de Lanzarote. 


Ficou para a história o desentendimento com o então subsecretário de estado da Cultura Sousa Lara, que considerou o livro ofensivo para a tradição católica portuguesa e o retirou da lista do Prémio Europeu de Literatura. 

Com um José destroçado por ter fugido e deixado as crianças de Belém nas mãos dos assassinos de Herodes; com uma Maria dobrada e descrita, logo no início do livro, em pleno acto de conhecer homem; com um Jesus temeroso, um Judas generoso, uma Madalena voluptuosa, um Deus vingativo e um Diabo simpático, não era de esperar outra reacção das almas mais sensíveis e mais devotas do catolicismo português. 

E verdadeiramente viperinas são as várias páginas onde o escritor português se entretém a descrever minuciosamente os nomes e a forma como morreram os mártires dos primeiros séculos do cristianismo.

 Assim se escreveram os heréticos Evangelhos segundo Saramago, para irritação de muitos e prazer de alguns. Como convém.» (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)"




O Ano da Morte de Ricardo Reis

José Saramago


Sinopse I:

"«Um tempo múltiplo. Labiríntico. As histórias das sociedades humanas. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro de 1935. Fica até Setembro de 1936. 

Uma personagem vinda de uma outra ficção, a da heteronímia de Fernando Pessoa. E um
movimento inverso, logo a começar: ""Aqui onde o mar se acaba e a terra principia""; o virar ao contrário o verso de Camões: ""Onde a terra acaba e o mar começa"". 

Em Camões, o movimento é da terra para o mar; no livro de Saramago temos Ricardo Reis a regressar a Portugal por mar. É substituído o movimento épico da partida. Mais uma vez, a história na escrita de Saramago. E as relações entre a vida e a morte. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro e Fernando Pessoa morreu a 30 de Novembro. Ricardo Reis visita-o ao cemitério. Um tempo complexo. 

O fascismo consolida-se em Portugal.» (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)"


Sinopse II:

O Ano da Morte de Ricardo Reis é um romance escrito em 1984 por José Saramago cujo protagonista é oheterónimo Ricardo Reis de Fernando Pessoa. O personagem que empresta o nome à obra retorna a Lisboa em1936, após uma ausência de 16 anos, e aí se instala observando e testemunhando o desenrolar de um ano trágico, através do qual o leitor é levado a sentir o clima sombrio em que o fascismo se afirma na sociedade, antevendo-se um futuro negro na história de PortugalEspanha e Europa.

Na biografia de Ricardo Reis e de Álvaro de Campos, ao contrário da biografia de Alberto Caeiro, não constam as suas mortes. Por isso, após a morte de Pessoa, José Saramago aventurou-se a terminar a história de um deles, o que acha que "sábio é aquele que se contenta com o espectáculo do mundo".

O autor cria a sua versão alternativa da história, a que poderia ter sido, fazendo uso de informações oficiais e misturando-as com fontes oficiosas. Assim, segundo a professora Ana Paula Arnaut, da Faculdade de Letras de Coimbra, "Saramago presta uma homenagem aos heróis anónimos", no que o próprio escritor parece concordar quando afirma, em 1990, no português Jornal de Letras, Artes & Ideias que quando se refere a corrigir a história não significa corrigir os fatos da história, mas sim introduzir nela "pequenos cartuchos" que façam explodir o que até então parecia indiscutível: substituir o que foi pelo que poderia ter sido.[1]

Saramago aproveita-se do fato de Fernando Pessoa não ter determinado a data da morte do protagonista do romance para fazê-lo testemunhar o período em que o fascismo aos poucos se instalava na sociedade portuguesa. O plano da imaginação cruza-se então com o da história: Reis vai morrer no mesmo período em que começaria a longa agonia de Portugal.[1]

"Esfuziam gritos patrióticos, Portugal Portugal Portugal, Salazar Salazar Salazar, este não veio, só aparece quando lhe convém, nos locais e às horas que escolhe, aquele não admira que aqui esteja, porque está em toda parte."[1]


Fonte:  https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Ano_da_Morte_de_Ricardo_Reis





Memorial do Convento

José Saramago


Sinopse I:

«…Não me sinto a vontade para opinar sobre este trabalho literário de Saramago, pois não se trata aqui de um livro qualquer, mas de uma grande obra, que cruza ficção com a História, narrando a construção do Convento de Mafra (hoje Palácio Nacional de Mafra), em resultado da promessa que o Rei D. João V fez para conseguir ter seu primeiro herdeiro.

Passa-se no início do século XVIII e o autor aproveita para fazer uma crítica à sociedade, mostrando com ironia e sarcasmo à abundância do rei e dos nobres em oposição à extrema pobreza do povo. Também A Igreja é fortemente criticada, tanto na figura de seus representantes sem escrúpulos, como na forma da inquisição exercer seu poder. 

E Saramago ainda nos conta muita mais, fazendo várias referencias ao Brasil, mostrando como o ouro retirado daqui fazia de Portugal um país muito rico, que esbanjava o dinheiro fácil (como, aliás, acontece até hoje com nossas riquezas). 

Foi um livro difícil de ler, pois tive que prestar muita atenção em cada frase, senão não conseguia entender o seu significado. Também porque não tem diálogos, ou melhor, eles existem, mais não na forma normal deles. Então li devagar, tentando entender o que o autor queria mostrar. Apesar desta dificuldade, foi um livro que valeu a pena, mas comparo ele a "Cem anos de Solidão", pois são livros que falam muito mais do que conseguimos entender numa primeira leitura.

Quando acabei fui pesquisar na internet se Saramago era comunista, pois nesta obra ele deixa bem claro suas convenções (pelo menos foi a sensação que sentia a cada página) e se ele já havia me conquistado com seu “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, passei a admirá-lo ainda mais. …»


Sinopse II:


Nesta obra, Saramago retrata a personalidade do rei D. João V e narra também a vida de vários operários anónimos que contribuíram na quixotesca construção do Convento de Mafra. 


Entre esses operários estava também Baltasar, e o romance foca, entre outras coisas, o seu grande amor por Blimunda, mulher dotada do estranho poder de ver o interior das pessoas. 

Os dois conhecem um padre, Bartolomeu de Gusmão, que entrou na história como pioneiro da aviação. 

O trio inicia a construção de um aparelho voador, a Passarola, que sobe em direcção ao Sol, sendo que este atrai as vontades, que estão presas dentro da Passarola.  Blimunda, ao ver o interior das pessoas, recolhe as suas vontades, descritas pelo autor como nuvens abertas ou nuvens fechadas. – 




Livro em PDF:

http://docs.paginas.sapo.pt/saramago/Memorial_do_Convento.pdf